segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Aula do dia 04 de dezembro Levarei para a aula uma breve apresentação do cap. 8 do livro Multiletramentos na escola de Roxane Rojo e Eduardo Moura: O MANGUEBEAT NAS AULAS DE PORTUGUÊS Cap. 8 do livro: Multiletramentos na escola Rojo e Moura ( orgs) Proposta do texto: Apresentar um projeto temático desenvolvido nas aulas de Português, para alunos do ensino médio, com o objetivo de oferecer diversidade de gêneros e textos multimodais com o tema “manguebeat”. Por que Manguebeat? 1. Multiletramentos- não só na perspectiva de multimodalidade, mas também na perspectiva multicultural. 2. Através de leituras multimodais, pesquisas hipermidiáticas em rede e produção de um site, buscou-se entender o movimento manguebeat como leitor ativo responsivo. Novas formas de competência : • Letramentos críticos ( Bakhtin/Volóshinov, 1979)  relação entre discursos,  dialogismo,  possibilidades de réplicas Protocolos de leitura em contexto hipermidiático Oferecer textos que : • proporcionem leituras de réplicas ativas; • Favoreçam a leitura de apreciação de valor por meio das relações de intertextualidade, interdiscursividade e contextualização • Criem ferramentas de publicação e circulação dos textos dos alunos Etapas do projeto • 1- O mangue a cidade.  Videoclipe “A cidade” de Chico Science e Nação Zumbi; Reflexão sobre as propostas de hibridação do manguebeat; gênero trabalhado: videoclipe; debate sobre a marca da intercalação ; busca de efeitos de sentido e reconstrução de sentidos; apreciação e valoração do cantor-autor e aluno-leitor.Metodologia: antes, durante e depois. • 2- O mangue a rede Pesquisa na internet e reflexão sobre a leitura multimodal e hipermidiática; texto central: protótipo de site; Mesma metodologia; • 3- O mangue a tradição  Relação manguebeat e a tradição literária, cultura local/global, valorizada/desvalorizada; Texto central: manifestos de lançamento do movimento manguebeat e do Modernismo brasileiro; produção de videoclipes pelos alunos com suas próprias hibridações; publicação no site.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Aula: 25/09 Expandindo o conceito de letramento

Memória do dia 25 de setembro Texto estudado: DALEY, Elizabeth. Expandindo o conceito de letramento. In: Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, (49)2:481:491, Jul. Dez.2010. Disponível em : A apresentação do texto de daley está no link abaixo:

Aula 23/10 Texto de Lynn Mario

Memória da aula: 23/10/12 Orientações gerais: Prof. Dr Luiz participou da ANPED- alunos devem apresentar trabalho na ANPED Pede para levantar os livros relacionados a nossa pesquisa para a biblioteca comprar Luiz participou de 2 fóruns na ANPED: o de editores de revistas acadêmicas e o de coordenadores de cursos A próxima Anpedinha será em Minas Lá na ANPED, 130 cursos de pós-graduação em educação - reunião anual Uma das discussões que ocorreram: diferenciação entre ensino e educação- cursos que tratam das técnicas de ensino e pouco para reflexão Outro problema sério- número de orientandos por orientador na pós-graduação Ver biblioteca da educação Ed. Cortez ( lista dos novos livros) As áreas da educação 24 eixos de pesquisa: (ver no site) da ANPED e conferir no lattes Sugere conhecer; J. Borges- xilografia na internet Olhos que pintam- leitura da imagens e arte. Outra discussão: Tecnologias- inserir tecnologia sem pensar no seu uso crítico é um erro. Educação a distância; abordagens críticas- ECCOs – revista científica- UNINOVE ( publicações) Os colegas Margly e Octaly apresentaram o texto de Lynn Mario: SOUZA, Lynn Mario T. Menezes: Para uma redefinição de Letramento Crítico: conflito e produção de significação. Disponível em Academia. Edu: Quem é o autor- contextualizaram a formação e obra. Ler o que não está explícito.. Margly lembra como a questão do repertório é importante e relaciona sua leitura à sua dissertação de mestrado Escutar e ouvir- olhar o outro. O eu e o não-eu de Paulo Freire. Apresentaram ainda ( Margly e Otaly) uma entrevista de Lynn Mario no youtube Prof. Luiz comenta: Letramento: envolve escrita como prática social ( não apenas dominar um código mas o uso deste código no ambiente. Ex: saber adequar a fala em cada prática social. Podermos ser letrados em uma prática social e não em outras. Nosso curso trata das práticas de letramento com as novas tecnologias. Alfabetização ainda está focando no código linguístico. O letramento que tratamos vai além (gestual, tipográfico, imagético, auditivo etc) Por isso, falamos letramentos no plural porque são dependentes de contextos. Os letramentos são situados, não são genéricos. Estamos falando de uma coisa que a escola não consegue entrar. Novos letramentos são coisas que só podemos fazer com as tecnologias atuais: ex remix digital. Também não é genérica a idéia de novos letramentos já que o que é novo para uma cultura pode não ser para outra. Letramento em duas dimensões: individual e social. Cada um domina determinadas práticas e socialmente isso tem um impacto Ex: nossos blogs( individuais) têm um reflexo social. O letramento como prática social é, porém, sempre ideológico. Sempre que eu falo eu emito com minha história ( como homem, como mulher, professora) tudo acaba se revestindo de um componente ideológico( que é tb individual e social). Ex falo em nome de professores, de pais ( eu + a minha classe) Lynn Mario- contexto ( cultural, situacional, histórico, genealógico) O nosso jeito de ser ( brasileiro) é da nossa história genealógica ( colonizado). Índios só se tornaram diferentes com a colonização. A história internacional de colonização que trouxe a questão das diferenças. Como o colonizador era opressor a idéia da diferença tb causa opressão. Genealogia- ver Homi Bhabha e o contexto cultural. O mesmo texto pode ser lido de forma diferente por um homem ou por uma mulher. Antes falava-se em conscientização como metacognição (erro de interpretação). A conscientização aqui é retomar o conceito de agência: não basta ser reconhecido como ser diferente mas fazer diferente. No nosso conceito lingüístico e sociológico de agencia não adiante apenas sonhar ( sonho que se sonha só e sonho; sonho que se sonha junto é realidade...) não é isso... Diferença entre texto e discurso. O texto é produto cultural que se utiliza de códigos para propor um tipo de mensagem. O discurso é o texto na ação do tempo> ela passa então a gir dentro de um contexto, por ex. discurso jurídico. É preciso ver as condições de produção e as de recepção. Um mesmo discurso político, por exemplo é visto de maneira diferente num intervalo de 10 anos... Diferença entre o ser e o fazer. Edupunk ( imagem de peixinhos indo para um lado e só um indo para outro lado) – fazer diferente- fazer o que ninguém está fazendo. O punk na educação: “faça você mesmo” ( ceda pouco às forças institucionais...) e “para mim nada, para nós tudo”. A ideia do espelho- conhece-te a ti mesmo. Embate filosófico: não dá pra conhecer-se a si mesmo sem o outro. Letramento crítico- a adjetivação crítico seria dispensável se vermos letramento sempre como relação eu-outro, já que a linguagem permeia todas as relações. Letramento Crítico- é reconhecer as motivações de quem escreveu ( classe social, ideologia, o não-dito, os pressupostos, o subentendido, entre outros) , conscientizar-se , tomar posição e agir. Conscientização-esforço de compreensão do mundo histórico-social sobre o que está intervindo ou se pretende intervir politicamente.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Memória da aula do dia 18/09- Apresentação texto de Magnani MAGNANI, Luiz Henrique. Um passo para fora da sala de aula: novos letramentos, mídias e tecnologias. In: JORDÃO (org.) Letramentos e Multiletramentos no Ensino de Línguas e Literaturas. Revista X, vol.1, :1-18, 2011  APRESENTAÇÃO DO TEXTO O artigo é resultado parcial de pesquisa realizada com apoio financeiro da Fapesp. Luiz Henrique Magnani http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/50537/luiz-henrique-magnani-xavier-de-lima/ Publicado em DOSSIÊ ESPECIAL: JORDÃO (org.) Letramentos e Multiletramentos no Ensino de Línguas e Literaturas.Revista X, vol.1, 2011 Estudos sobre letramento e práticas de linguagem relacionadas às novas mídias e tecnologias devem: abordar uma realidade complexa que demanda processos particulares de construção de sentido; novas formas de troca não redutíveis a relações escolares mais tradicionais. Devem ainda ter reflexão sobre dois pontos: a ênfase em outros contextos que não o da sala de aula ; a percepção de que toda prática letrada sempre será sinestésica e assim deverá ser abordada Objetivo do trabalho: compreender como práticas ligadas a esses novos contextos têm sido abordadas nos estudos do letramento. Defesa do autor: que tais estudos estejam dentro de uma abordagem política e ética frente à linguagem em uso nas mais diversas esferas sociais e relacionadas a um contexto de distribuição desigual de poder, do qual o ambiente escolar é mais uma instância. que sejam feitas mais pesquisas que tenham como foco práticas em espaços extraescolares - envolvendo novas mídias e tecnologias ou não – e que partam do local em que elas efetivamente ocorrem. Isso, mantendo-se o foco em uma busca por espaços que possam fomentar uma reflexão social crítica. 1ª parte do texto NOVOS LETRAMENTOS, MULTILETRAMENTOS E CRITICIDADE: BREVE HISTÓRICO Nesta parte do texto, Magnani apresenta uma breve genealogia e pressupostos que sustentam o termo letramento trazendo alguns pontos centrais no termo literacy especialmente nas perspectivas teóricas recentes como as de Multiletramentos ou NLS. 2ª parte do texto NOVOS LETRAMENTOS, MÍDIAS E TECNOLOGIAS Aqui o autor apresenta e analisa novas perspectivas de estudos de letramento incluindo, de um modo ou de outro, práticas relacionadas às novas mídias e tecnologias nas reflexões. 3ª parte do texto A “ESCOLA FORA DA ESCOLA” EM FOCO Nesta seção, Magnani apresenta alguns impasses e questionamentos sobre o estudo do letramento nos contextos escolar e extraescolar colocando o foco na relação entre novos letramentos e formas de aprender e de agir social e politicamente Principais temas e argumentos apresentados no texto 1ª parte: NOVOS LETRAMENTOS, MULTILETRAMENTOS E CRITICIDADE: BREVE HISTÓRICO Novas propostas de estudo de novos letramentos : autores distanciam-se de uma visão acadêmica mais tradicional por julgarem central um estudo situado, com perspectivas bem delineadas ética e politicamente ao terem como meta o fomento de um espaço que dê voz a sujeitos de comunidades não favorecidas pela estrutura social. (p.4) Construção de sentidos- o sujeito não assimila passivamente conteúdos, opiniões e conhecimentos, mas os articula em um trabalho ativo, em relação a sua trajetória, seus conhecimentos prévios e seus interesses. (p.4) Mérito das novas propostas: De um ponto de vista linguístico e semiótico, chamam a atenção para o fato de que a relação com a língua e o aprendizado de linguagens não é algo abstrato, mas diversificado e dependente do contexto cultural. Assim, se explicações universais ou universalizantes tendem a silenciar as vozes dissonantes valorizando algumas localidades e práticas em detrimento de outras, o foco na complexidade local dá a oportunidade de refletir sobre as conflituosas diferenças culturais e sua relação com os usos concretos da língua. (p.4) A construção de sentido – seja na leitura de um texto impresso ou na leitura do mundo – é vista como um processo ativo, no qual o interlocutor tem papel fundamental. (p.4) “Letramento crítico”, processo no qual a construção de sentido frente a textos seria:“um processo de construção, não de exegese; atribui-se sentido a um texto em vez de extrair dele tal sentido. Mais importante, o sentido do texto é compreendido no contexto de relações sociais, históricas e de poder, e não somente como o produto ou a intenção de um autor. (p.4) Ademais, ler é um ato de vir a conhecer o mundo (bem como a palavra) e um meio para a transformação social (CERVETTI, PARDALES e DAMICO, 2001, p. 6). Dois grandes méritos das perspectivas apresentadas sobre letramento: o foco na reflexão analítica da língua em uso, percebida em um contexto concreto compreendido em dois níveis: o da situação imediata com suas particularidades locais; mas também o entorno social e político mais amplo no qual essas relações estão imersas. a sensibilidade que a tendência em foco possui em relação aos problemas e conflitos a que esses usos da linguagem estão relacionados, bem como sua vocação para a crítica e transformação social, levando em conta uma estrutura não determinística de poder, em que o sujeito ainda que condicionado, age socialmente. 2ª parte do texto: NOVOS LETRAMENTOS, MÍDIAS E TECNOLOGIAS Bolter (2000): o período em que vivemos é mais visual que linguístico. Elementos computacionais/digitais estão, para diversas finalidades, substituindo práticas anteriormente consagradas. (p.5) Lemke (2010, p. 456) : “Todo letramento é letramento multimidiático, alegando que não se constrói significado com a língua de forma isolada e que todo signo linguístico carrega significado não-linguístico. (p.5) Noção de letramento centrada na construção de sentidos, não fechando o escopo na leitura e na escrita ou, mais especificamente, no texto verbal impresso. (p.5) Estudiosos dos Multiletramentos- ideal de postura ativa- O foco na agência- redesign para designar o processo pelo qual o sujeito reconstrói e transforma os sentidos a partir dos recursos semióticos disponíveis (KALANTZIS e COPE, 2001). Lankshear e Knobel (2006) entendem os novos letramentos dentro de uma expansão conceitual do termo remix: prática de manipular artefatos culturais e recombiná-los, gerando novas misturas e novos sentidos. Remix : uma forma contemporânea de escrita,considerando que “escrever" não é algo só feito com o texto verbal impresso, mas pode ser feito de uma forma multimodal – algo cada vez mais evidenciado pelas facilidades trazidas pelas novas tecnologias. Essa prática de recombinar elementos existentes na criação de novos seria uma condição geral das culturas. Manovich(2003), o acúmulo de registros de mídia analógica que temos em mãos atualmente, somado à viabilidade tecnológica que a digitalização traz para transformar concretamente tais materiais em outros, cria algo qualitativamente novo. Com isso, artefatos e registros dessa espécie de grande arquivo podem se tornar partes de novas produções culturais e artísticas. Lankshear e Knobel (2006) exemplos –dentre os quais, os memes de Internet- (p.7) A longevidade do meme, para os autores, tem relação com a sua capacidade em ser parcialmente modificado (em relação aos recursos expressivos utilizados) e repassado, mantendo sua ideia central contagiosa relativamente intacta. características destacadas nos memes – postura ativa e integração de várias modalidades – (p.7) - ideia de as práticas analisadas estarem ligadas a um fazer coletivo e a usos criativos e ativo das formas de linguagem disponíveis. O convite para testar e “remixar” está sempre em aberto, e o resultado da remixagem, quando publicado, é filtrado e julgado pela própria comunidade na qual o meme deve(ria) fazer sentido. (p.6) Lankshear e Knobel (2006)- vinculam expressamente a reflexão sobre novas práticas de letramentos com um convite para se pensar sobre o processo educativo do letramento e sobre o aprendizado na escola. Pesquisas- novas tecnologias, mídias e as práticas a elas ligadas – memes, blogs, fóruns cibernéticos, videogames – tendem a ser trazidas como um elemento de alteridade ou contraste para o que se intui ou se supõe estar faltando no contexto formal de ensino  (p.8) A partir de uma perspectiva que assume a educação mais amplamente como “iniciação em comunidades e especialmente em práticas de letramento genéricas e especializadas”, o autor entende que “novas tecnologias da informação, novas práticas de comunicação e novas redes sociais possibilitam novos paradigmas para a educação e a aprendizagem, e colocam em debate os pressupostos sobre os quais os paradigmas mais antigos se apoiam” (LEMKE, 2010, p. 461). (p.8) Lemke (2010) dois paradigmas correntes em disputa: paradigma da aprendizagem curricular: presente em universidades e escolas e próprio do capitalismo industrial e da produção em massa; Paradigma da aprendizagem interativa:comum às bibliotecas e centros de pesquisa, em que as pessoas, com base em dúvidas e empecilhos gerados por participações concretas em atividades específicas, determinam o que precisam saber, na ordem e no ritmo que lhe cabem. Seria também aquele potencializado pelas possibilidades que oferecem as novas mídias e tecnologias. (p.8) A abordagem dos autores voltados às novas mídias e tecnologias tratou das seguintes ideias: a escola não centraliza todas as formas de saber e conhecimento que circulam dentro da sociedade. O estudo de práticas letradas comuns aos meios digitais contribui para se questionar e repensar os conceitos e as dinâmicas comuns a uma sala de aula tradicionalmente conhecida e aparentemente em cheque Deixam ainda em aberto: que as análises contrastivas ou, de modo mais abrangente, estudos sobre letramentos relacionados à escola são e continuam sendo importantes, por outro lado, não são a única possibilidade de se investigar letramento, aprendizado e construção de sentido; Também não são suficientes para trazer parâmetros e reflexões sobre os contextos de uso da língua e de linguagens que estão além do espaço da sala de aula. 3ª parte: A “ESCOLA FORA DA ESCOLA” EM FOCO Refletir sobre o que está ocorrendo fora da escola para compreender melhor o descompasso entre os usos de mídias e novas tecnologias na escola e em comunidades de prática ou redes sociais;( Gomes, 2010) (p.11) “estar no computador”: uma espécie de resistência em relação à escola e seu modo tradicional de construção de conhecimentos. ( Gomes, 2010) diversos usos sociais da escrita, por exemplo, têm ocorrido espontaneamente no meio digital, fora do contexto de sala de aula e, muitas vezes, por jovens em idade escolar. ( Gomes, 2010) (p.11) nas redes sociais de que participam, os usuários fazem uso de gêneros, linguagens e normas de escrita muitas vezes não aceitas ou não privilegiadas pela escola. ( Gomes, 2010) “por trás da anarquia, da descentralização, há uma atitude contracultural, no sentido em que não enfrenta a instituição escolar, mas silenciosamente Há uma escola fora da escola”. (GOMES, 2010, 3-4). (p.11) aprendizados se dão nas localidades nas quais as pessoas circulam e, desse modo, a cidade e a sociedade é que são, no fim, as educadoras dos sujeitos (LEMKE 2002; FRANCO, 2010 apud GOMES, 2010). Magnani afirma que espaços extraescolares de aprendizado têm sido particularmente destacados atualmente em análises comparativas com o ensino no contexto escolar. Afirma ainda que esse espaço extraescolar tem cumprido um grande papel para se pensar em possíveis transformações na dinâmica da sala de aula (p.11) Contribuição que essas pesquisas trazem: Investigar os aprendizados presentes e distribuídos em toda a sociedade, não reduzindo-os ao contexto escolar; Apontar que muitas práticas ligadas às novas mídias e tecnologias estão bastante alinhadas com muito do que é prestigiado atualmente em relação a formas de aprender e agir no mundo. Discussão sobre os jogos: World of Warcraft (WoW); The Sims Observa: não se deve considerar, de modo determinista, que os pressupostos ideológicos presentes em um videogame serão meramente transmitidos a um jogador que os acata passivamente. Isso, no entanto, não invalida o fato de que o letramento presente nessa “escola fora da escola” das práticas digitais não é meramente ligado com habilidades em abstrato. Diferentemente, também sustenta e reitera visões de mundo e posicionamentos ideológicos específicos. Retoma o questionamento principal a ser feito ( e um dos itens centrais dos estudos de letramento):“ O quê” e “para que” se aprende e se deve aprender? Qualquer aprendizado, em sua forma e seu conteúdo, possui uma localidade e está vinculado a modos de conceber e construir a realidade. Os efeitos de cada prática de aprendizado, portanto, devem ser constantemente investigados e colocados em debate. Pensar eticamente sobre possíveis efeito das novas práticas que têm surgido e se fortalecido com as novas mídias e tecnologias (p.13) Exemplos e tentativas de se abordar o contexto extraescolar de modo alternativo, buscando promover um engajamento politizado em relação a novas práticas em meio digital cujo foco está na “escola fora da escola”: counter-meming, que consistiria em criar memes que tenham como meta política “neutralizar ou derrotar ideias prejudiciais”. criar videogames que tenham como meta promover a criticidade, algo que tem ocorrido com certa frequência atualmente. (p.14) esse espaço extraescolar é complexo e amplo e tanto o que pode ser aprendido nesses espaços como a forma pela qual se aprende não é passível de uma transferência direta para o contexto escolar. Por vezes, alguns desses aprendizados socialmente distribuídos podem representar formas de resistência à sala de aula. Compreender como o sentido é construído, nesses casos, deve envolver estudos que abarquem esse tipo de especificidade. Últimas parte: CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisas sobre letramentos e linguagem em uso em contextos fora da escola são e serão de grande valia e não devem nem precisam estar amarrados a uma aplicabilidade escolar imediata. Duas grandes contribuições dos estudos do letramento: a preocupação com o contexto em que tais interações ocorrem e a ideia de que todo letramento é ideológico. o aprender na “escola fora da escola”, deve ser encarado de modo semelhante a como ele tem sido abordado na “escola dentro da escola”: relacionado a contextos específicos e vinculados a visões de mundo em particular, que tendem a estar em disputa com outros posicionamentos. (p.15) Última parte: Considerações finais Essa perspectiva pode trazer resultados e reflexões relevantes sobre aprendizado e construção de sentido em outros contextos, práticas e formas de interagir – em especial, mas não somente – com novas mídias e tecnologias. Lemke (2010, p. 462), há uma necessidade de se compreender, antes de que possamos sequer ensinar, “como vários letramentos e tradições culturais combinam estas modalidades semióticas diferentes para construir significados que são mais do que a soma do que cada parte poderia significar separadamente”. (p.16) Lado a lado com os estudos já consolidados sobre letramento e educação, esse novo contexto também exige outros recortes e abordagens, em que o uso de linguagens, o compartilhamento e as disputa de saberes, as visões de mundo, os modelos culturais ocorrem incessantemente. Os aprendizados são distribuídos e, sendo assim, os diversos locais em que eles ocorrem merecem mais investigações . Pede uma reflexão mais ampla sobre cultura, ética, aprendizado e linguagem nas mais diversas práticas letradas da sociedade, sejam mediadas por novas tecnologias ou não.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Memória - Aula do dia 28/08/12 Texto estudado: DEMO, Pedro. Olhar do Educador e Novas Tecnologias. In: B. Técnico do Senac: a R. Educ. Prof., Rio de Janeiro, v.37, nº2, mai./ago.2011, Disponível em: HTTP://www.senac.br/conhecimento/periodicos.html Apontamentos: Tema: o modo de o educador ver e avaliar as oportunidades educacionais dos alunos em meio as tecnologias e aos ambientes virtuais de aprendizagem. O autor faz quatro grandes referências sobre o que se espera dos educadores: 1º que saibam posicionar as novas tecnologias a serviço do direito de aprender bem dos estudantes; 2º que saibam escoimar o joio do trigo, sem perder de vista que o desafio precisa ser enfrentado, não escamoteado; 3º que saibam proteger as crianças dos riscos e males on-line sem perder de vista que é sempre preferível educar à censurar; 4º que saibam fazer autocrítica, no sentido de procurar estar à altura da nova geração Antes de abordarmos as diversas leituras possíveis do texto, o Prof. Luiz, falou sobre os tipos de abordagem de leitura de textos: TOP DOWN- de cima pra baixo- fazer uma aproximação ao texto- entender como ele foi construído O título revela o tema que aparece na introdução e na conclusão BUTTOM UP- de baixo pra cima Olhar as questões gramaticais, citações, vocabulário, construções de sentido... Aqui tem os detalhes do argumento Também retomamos a questão dos letramentos: Letramentos- usos sociais da escrita (leitura) que aparecem em determinados contextos. Letramentos- são práticas situadas, mediatizadas e midiatizadas. histórico Social Psicológico Ideológico Não é neutro, é individual e é coletivo Letramento crítico- olhar para este fenômeno complexo e ver o que está por trás... O problema não é do acesso mas como e para que são usadas as tecnologias. Tecnologias- igual á velhice: só reforça o que já temos/somos. Outros apontamentos do texto de Pedro Demo: Fato: Nova geração está inserida em dinâmicas virtuais de aprendizagem. Estas dinâmicas são não-lineares e complexas mas também ambíguas: cabem oportunidades e rsicos) Nova geração- não é uma “nova espécie”- também há perspectivas passivas, cômodas, de apegos a apostilas ou livros-textos, aulas prontas. Aponta restrições e riscos das tecnologias (falta de envolvimento, crescente alienação,distração e desconexão, ensimesmamento, encasulamento mental entre outros) Problemáticas tratadas: • Vazio entre o potencial das novas tecnologias e a prática escolar; • Parte dos alunos fazem uso mas não de modo inteligente, crítico e criativo; • Professores: muitos ainda desconectados e resistentes; • Pedagogia colocada sob pressão diante das tecnologias participativas Propostas: • Preparação do professor- para pensar criticamente e influenciar positivamente os alunos para transformar informação em conhecimento; • Professores que não sucumbam às pressões do consumo e dos modismos tecnológicos; • Um olhar sem extremismos: nem resistência tosca, nem adoção acrítica;

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Plano da disciplina

Segue o plano de aula com a ementa e a bibliografia para quem se interessar em acompanhar e contribuir nas discussões.

UNIVERSIDADE DE SOROCABA

Pró-Reitoria Acadêmica

Programa de Pós-Graduação – Área de conhecimento - Educação Escolar

Linha de Pesquisa – Ensino Superior

 

 

Disciplina: Novos Letramentos e Educação Superior

Horário: Terças: 09h às 12h

Professor responsável: Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes

 

Ementa: conceitos e modelos de letramento; letramentos digital e visual; novos letramentos: o que há de “novo”; implicações para o ensino e a aprendizagem. Novos letramentos e educação superior: EaD;  redes sociais e comunidades virtuais.

 

Avaliação: (a) apresentação individual, para a classe, de relatórios de leitura.(b) apresentação em duplas, para a classe, de relatórios de leitura; (c) Abertura de blog individual específico para a disciplina, para registro semanal das discussões, idéias, etc. surgidas em cada aula. Conteúdos e links adicionais podem ser acrescentados, desde que se relacionem aos conteúdos da disciplina.

(Instrumentos de Avaliação (embasado no Sistema de Avaliação da Uniso – Regimento: do artigo 56 ao 66)

 

 

 

2. Cronograma das Atividades:

Encontros
Dia
Atividade/Texto
                      AGOSTO
21
Apresentação da disciplina, do plano de ensino, discussão da agenda das tarefas para próximas aulas e leitura inicial
28
Texto 1- à guisa de introdução: DEMO, Pedro: Olhar do Educador e Novas Tecnologias.
                 SETEMBRO
04
Seminário na UFMG- aula a repor
11
Palestra no Piauí – aula a repor
18
Texto 2-  MAGNANI, L.H.Um passo para fora da sala de aula: novos letramentos, mídias e tecnologias.
25
Texto 3 – DALEY, Elizabeth: Expandindo o conceito de letramento
                    OUTUBRO  
02
Texto 4- MATOS, Andrea. M de Almeida: Novos letramentos, ensino de língua estrangeira e o papel da escola pública no século 21.
09
Texto 5- MOITA LOPES, L.P. Os novos letramentos digitais como lugares de construção de ativismo político sobre sexualidade e gênero
16
Texto 6 – SOUZA, Lynn Mario T. Menezes: Para uma redefinição de Letramento Crítico: conflito e produção de significação.
10º
23
Texto 7- LANKSHEAR, Colin & KNOBEL, Michele: Researching New Literacies: Web 2.0 practices and insider perspectives.
11º
30
Texto 8 - LANKSHEAR, COLIN & KNOBEL, MICHELE.
 The “Stuff” of New Literacies.
                   NOVEMBRO
12º
6
 
13º
13
 
14º
20
Reposição do dia 4/9
15º
27
Reposição do dia 11/9
 
 
 
Obs.: Os textos para novembro serão selecionados, oportunamente, a partir dos interesses e necessidades dos alunos.
Obs.: É possível que algumas pequenas alterações possam ser feitas durante o semestre.

 

 

 

Carga Horária =
40h/a
Total de Créditos
1

 

 

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

 

DALEY, Elizabeth. Expandindo o conceito de letramento. In: Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, (49)2:481:491, Jul. Dez.2010. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-18132010000200010&script=sci_arttext

 

DEMO, Pedro. Olhar do Educador e Novas Tecnologias. In: B. Técnico do Senac: a R. Educ. Prof., Rio de Janeiro, v.37, nº2, mai./ago.2011, Disponível em: HTTP://www.senac.br/conhecimento/periodicos.html

 

LANKSHEAR, COLIN & KNOBEL, MICHELE. Researching New Literacies:

Web 2.0 practices and insider perspectives. In: E–Learning, Volume 4, Number 3, 2007. Disponível em: www.wwwords.co.uk/ELEA

 

LANKSHEAR, COLIN & KNOBEL, MICHELE.  The “Stuff” of New Literacies. Disponível em: http://everydayliteracies.net/pubs.html

 

MAGNANI, Luiz Henrique. Um passo para fora da sala de aula: novos letramentos, mídias e tecnologias. In:  JORDÃO (org.) Letramentos e Multiletramentos no Ensino de Línguas e Literaturas. Revista X, vol.1, :1-18, 2011. Disponível em http://usp-br.academia.edu/LuizHenriqueMagnani/Papers

 

MATOS, Andrea. M de Almeida. Novos letramentos, ensino de língua estrangeira e o papel da escola pública no século XXI In: JORDÃO (org.) Letramentos e Multiletramentos no Ensino de Línguas e Literaturas. Revista X, vol.1, :33-47, 2011. Disponível em http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/revistax/article/view/22474

 

MOITA LOPES, L.P. Os novos letramentos digitais como lugares de construção de ativismo político sobre sexualidade e gênero. In: Trab. Linguis. Apl. Vol.49 nº2. Campinas July/Dec.2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-18132010000200006&script=sci_arttext

 

SOUZA, Lynn Mario T. Menezes: Para uma redefinição de Letramento Crítico: conflito e produção de significação. Disponível em Academia. Edu: http://usp-br.academia.edu/LynnMarioMenezesdeSouza/Papers/599422/Para_um_redefinicao_de_letramento_critico_conflito_e_producao_de_significacao.